Um daqueles dias!

Hoje esteve um dia maravilhoso por aqui, parecia quase primavera. Com o céu descoberto iniciámos a manhã com uma caminhada num percurso aqui perto. De regresso tratámos do almoço e o resto da tarde foi passado em família, na rua a cuidar de algumas plantas da horta e outras que temos em vaso a caminho de serem plantadas na primavera. Os espinafres estão a dar de novo, os limões e as laranjas estão aí. As nêsperas já vêm a caminho e o sabugueiro está todo a rebentar e em flor. As figueiras e os loureiros mais pequenos já estão a dar sinal e o novo limoeiro já tem três mini limões!

Por fim distribuímos as misturas de água da chuva com a urina que recolhemos em plantas que têm maiores necessidades de nutrientes. É muito bom o que se sente quando somos completamente auto-suficientes na gestão dos nossos resíduos humanos. Compostamos toda a matéria sólida, que é mais tarde incorporada na produção de alimento. Diluímos em água da chuva e distribuímos os resíduos líquidos pelo terreno. Tudo isto sem causar qualquer dano, sem utilizar água potável no transporte das nossas necessidades e sem a ligação a uma fossa ou sistema de esgotos poluente. Aqui não há desperdício de recursos preciosos, tudo é aproveitado e ficam por cá, a auxiliar na regeneração e melhoria do espaço! 😉

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O Espaço Permabio em Outubro de 2017

Aos poucos, o solo vai melhorando com a nossa ajuda, as plantas vão agradecendo, crescendo e cumprindo as suas funções. A nós resta observar, adaptar e orientar a evolução do espaço adicionando mais diversidade e quantidade de espécies no sentido de optimizar ao máximo o nosso trabalho de regeneração. Esta semana fizemos mais propagações e transplantações que em breve incorporarão o sistema. Aqui ficam algumas imagens do espaço nesta altura do ano.

A Mini Cozinha Exterior da Gaia

Pois é! Já andava a prometer há um tempo, criar um espaço para nossa menina brincar no exterior com os seus recipientes e panelinhas. Este conceito não foi imposto, pois uma das suas actividades favoritas é mesmo brincar ao “faz de conta que cozinha”, pois vê-nos diariamente a preparar refeições de raiz e pelo meio gosta de participar e lá vai petiscando para abrir o apetite.

Reutilizando única e exclusivamente materiais, rapidamente adaptei o nosso velho forno solar, que já não nos servia pois além de grande e pesado, foi um conceito muito inicial sem grande planeamento e que se tornou pouco prático de manusear. Estava armazenado e necessitado de manutenção, pelo que decidi dar-lhe uma nova vida através desta mini cozinha exterior amovível e transportável.

Com os restos da cobertura do telheiro exterior feito há dois anos e os restos da construção do módulo amovível da carrinha de há dois meses lá se concluiu o conceito! A utilizadora principal parece-nos bastante satisfeita e quis participar em todas as etapas do processo! 😉

Alimentar e Proteger o Solo

Durante esta semana ocupámo-nos também do corte ou retirada de plantas secas para avançar com o processo de compostagem no local, alimentámos o solo que tinha acabado de produzir com composto de minhocas e cobrimos com palha já em processo de decomposição, ou seja já com bastantes fungos e húmida. Por fim regámos tudo para manter o nível de humidade. Infelizmente não temos ainda disponível “matéria verde” em quantidade (eucalipto ou bananeiras) que pudéssemos cortar e largar por baixo da palha para criar depósitos de água que ao longo do tempo vão alimentando as necessidades do solo. Os pequenos eucaliptos que plantámos para o efeito ainda vão demorar o seu tempo a crescer e as bananeiras estão a servir a sua função na fossa de tratamento de águas cinza. Até lá vamos fazendo compostores em vários locais, vamos reproduzindo e plantando pontualmente árvores que suguem água e crescam rápido, para que a longo prazo, através de um manejo consciente, possamos deixar de necessitar de regar a horta! A nossa menina já está familiarizada com estes conceitos e participa em todas as tarefas! 😉

 

O Mais Recente Habitante da Nossa Horta

Hoje encontrámos na horta, mais uma recompensa pelo trabalho a favor da natureza, sem utilização de “tratamentos”, pesticidas ou qualquer agressão ao solo. Este é o mais recente habitante do nosso espaço, descobrimo-lo hoje por acaso, quando andávamos a espalhar cobertura de solo no canteiro da horta, voltámos a colocá-lo no espaço que escolheu e ainda lhe deixámos água.

O ouriço-terrestre ou ouriço-cacheiro (Erinaceus europeus) é um insetívoro, alimentando-se sobretudo de invertebrados que encontra no solo (minhocas, escaravelhos, lagartas, aranhas, lesmas, larvas e caracóis), por vezes, consume ovos e pequenos vertebrados (anfíbios), frutos e sementes. Neste momento está no período de engorda para poder hibernar a partir de novembro caso as temperaturas baixem muito.

Devido à sua dieta, o Ouriço é considerado um animal auxiliar das hortas, pois consegue ajudar no controlo de pragas naturalmente. Ao que parece, é capaz de comer várias vezes o seu próprio peso em insetos e anelídeos e durante a noite, pode percorrer distâncias entre um e três quilómetros.

Experiências, Brincadeira e Aprendizagens

No percurso de acompanharmos a nossa menina no seu desenvolvimento, acreditamos que é importante que ela tome decisões. Dentro do leque de opções que lhe apresentamos, respeitamos as suas escolhas, seja nas roupas que decide vestir, na hora de dormir, na comida ou na ordem pela qual ingere os alimentos. O mesmo acontece com os brinquedos ou as actividades com que decide ocupar o seu tempo.

Valorizamos que as aprendizagens sejam feitas ao seu ritmo e através de experiências reais que recorrem aos sentidos, às suas necessidades e aos seus gostos pessoais. As tarefas do dia a dia na manutenção do nosso espaço, de acordo com as suas competências e interesse, têm um papel importante no equilíbrio dos conhecimentos que consideramos serem fundamentais para uma criança da sua idade e nós estamos aqui para apoiá-la a seguir a sua curiosidade em tudo aquilo que lhe fizer sentido ou a fizer sentir bem.

Além das experiências aqui em casa, sempre que possível levamos as mesmas para o exterior do nosso espaço, seja na praia, no rio, no campo ou na montanha. Como qualquer criança, a nossa menina gosta do contacto com a natureza, com o exterior e com os animais. Nesta última semana, surgiu a oportunidade de uma rápida saída de campo até um espaço diferente, onde existem animais reais que ela ainda não conhecia pessoalmente. Aqui ficam algumas imagens:

Recolha de sementes com o Outono por perto

Durante a última semana aproveitámos para planear e continuar com a recolha dos produtos da horta e as suas sementes. Recolhemos também as nossas aromáticas e medicinais para utilizarmos sob a forma de chás, ou maceradas nos sabonetes ou bálsamos que produzimos. Os alecrins, as calêndulas, as alfazemas, as hortelãs e a erva cidreira estão por todo o lado e a erva príncipe está enorme. O Louro temos para dar e vender e os nossos pequenos eucaliptos já suprem a nossa necessidade de folhas para macerar e transformar em produtos. Sendo assim, estamos neste momento completamente auto suficientes a nível de plantas bio para utilizar nos nossos produtos naturais.

Continuamos a fazer propagações de calêndula, e recentemente temos prontos cortes de jasmim e sabugueiro, que irão ser acrescentados no sistema este Outono. Os tomatinhos continuam a fluir, os marmelos em breve vão para a panela e as laranjas já estão a caminho do amadurecimento nos próximos meses. O outono está a chegar, algumas árvores como a Figueira já começam a perder as folhas e a abrir o espaço para os raios de sol aquecerem naturalmente os nossos conceitos. Uma das duas oliveiras que plantámos, tem este ano pela primeira vez as suas azeitoninhas. O grão, o milho, o feijão, o girassol e o epinafre entre outras, começam a encher os nosso banco de sementes para o próximo ano. Muitas delas estamos a deixar ao tempo para fazerem naturalmente o processo de auto-sementeira.

Temos ainda muito trabalho pela frente para preparar a chegada do inverno, seja com limpezas e arrumações, com produtos novos para o Natal, com a recolha e armazenamento da lenha, com plantações e podas ou ainda com a nova capoeira das galinhas que queremos desenvolver. O tempo tem sido curto, mas esperamos conseguir fazer o máximo possível nos próximos meses.